CREATIVE VEGAS

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

GUIA RÁPIDO DE FOTOGRAFIA PARA FILME



Pensei em começar falando sobre roteiros, mas pretendo realizar uma série individual sobre esse tema.Que se seguirá abordando muitos assuntos ligados ao audiovisual.
Esta é a primeira parte desse guia sobre fotografia no mundo do audiovisual.
Nesse primeiro tópico abordarei PLANOS, MOVIMENTOS DE CÂMERA e LENTES.

O PLANO

O plano no cinema, é o que dita a história de um filme, como se fosse a palavra-visual.
A partir daí surge espaço para atuação, som, arte, figurino, objetos de cena etc.
Antes de se pensar no ator, trilha sonora etc, é preciso conhecer cada plano, disseca-lo por completo dentro de todas as áreas de produção para dentro da seqüência de planos verificar suas necessidades em todos os sentidos. Mas este assunto é DECUPAGEM, que foge um pouco de nosso tema, mas tem ligação com ele ao mesmo tempo. Mais isso é para outro dia...

Você deve estar se perguntando, afinal o que é plano?
Pois é, difícil definir. Posso exemplificar dizendo que plano é o posicionamento da câmera em relação ao objeto principal.
Pense que você irá filmar um diálogo entre duas pessoas.
Imagine quantas câmeras você usaria, e onde colocaria cada uma delas?
Bom isso são planos.

E como o uso dos planos pode ajudar a contar uma história?
Os planos contam história de acordo com sua alternância, chamada de seqüência.
Agora imagine esse mesmo diálogo, agora imagine em que ponto exato será feito o corte entre uma câmera e outra. Isso é seqüência.


É como se Plano fosse uma falavra, e Seqüência uma frase.

OS PLANOS:

PLANO GERAL: (PG)
Nesse plano a câmera enquadra todos os elementos da cena, os personagens, cenografia e tudo mais.

PLANO CONJUNTO: (PC)
É como um plano geral menos abranjante, chamando mais a atenção para o foco principal da cena, como o nosso bom e velho diálogo do exemplo, porém enquadrando objetos de cenário sem dar tanto destaque para não desviar a atenção do espectador.

PLANO AMERICANO: (PA)
É o plano ao qual se enquadra os personagens a partir de um palmo acima do joelho até o topo da cabeça. Esse nome surgiu nos filmes de velho-oeste americanos, onde foi muito comum seu uso. Pois enquadrava o revólver no coldre que ficava ligeiramente abaixo da cintura do personagem numa cena de duelo.

PLANO MÉDIO: (PM)
É o enquadramento mais fechado que o Americano, pois enquadra a partir da cintura até 4 dedos acima do topo da cabeça.

PLANO PRÓXIMO: (PP)
Ele começa na altura do peito até dois dedos acima da cabeça.

CLOSE-UP: (CU ou CL)
É o enquadramento no rosto, meio palmo abaixo do queixo até o topo da cabeça.

GRANDE CLOSE-UP ou BIG-CLOSE: (BC)
Enquadra o rosto da ponta do queixo até o meio da testa.

PLANO DETALHE: (PD)
É quando se quer detalhar qualquer assunto, por exempo, a boca de um personagem em um diálogo, uma frase dentro de um texto de um jornal em cena. As mãos etc..

PLANO PLONGEÉ (Lê-se Plongê) (PL)
Nesse plano, a câmera é colocada acima da linha do olhar dos personagens, registrando a cena do alto, numa diagonal. É como se a câmera fosse os olhos de alguém muito mais alto que o normal. Imagine um homem de 3 metros olhando para você. E para ele você é um baixinho...

CONTRA-PLONGEÉ: (CP)
É exatamente o oposto do Plongeé. Como se você olhasse alguém de 3 metros.
Nesse plano consegue se criar a ilusão de que o objeto ou pessoa é muito mais alto que o normal.
Esse plano é muito usado em filmes com Arnold Schwarzenegger, pois ele é um homem baixo, porém o diretor pretende passar a idéia de uma pessoa alta, forte, onipotente.

PLANO ZENITAL: (PZ)
A câmera é colocada no topo, no alto do cenário, apotando diretamente para baixo.
A 90º da linha do horizonte. Seu nome provém da palavra ZÊNITE, que é o ponto central do céu quando olhamos diretamente para ele.

PLANO CONTRA ZENITAL: (CZ)
Como no Plongeé e Contra-Plongeé, o Contra Zenital é diretamente o oposto do Zenital.
O ponto central da terra olhando para o centro do céu.

PLANO SUBJETIVO: (PS)
Como se fosse o ponto de vista de um dos personagens da história, ou seja, em primeira pessoa.
Esse plano é usado quando se quer aumentar a dramaticidade permitindo ao espectador "viver"
a vida do personagem por um momento.
Esse plano foi muito usado no filme A bruxa de Blair dirigido por Eduardo Sanchez e Daniel Myrick.
PLANO SEQUENCIA: (PS)
Este não é muito bem um plano como os outros. Ele pode ser todos os ao mesmo tempo em sequência, desde que seja sem cortes e alternância entre um plano e outro em movimentação.
É bastante usado na década de 60 e ainda nos dias atuais. Requer maior preparação de locação(ambiente) pois a área usada no set aumenta. É muito utilizado com Gruas, um tipo de estabilizador de câmera com braço móvel em 2 ou 3 eixos, que possui movimentação livre em 3 dimenções.




MOVIMENTOS DE CÂMERA

Dentro de cada plano, pode haver movimentos de câmera.
Vamos conhece-los com esse pequeno texto de fácil assimilação.


PANORÂMICO (PAN):
É quando a câmera, sem sair do próprio eixo, movimenta-se para os lados na horizontal, ou seja, movimento para esquerda ou direita.

TRAVELLING (TRAVEL):
Essa movimentação pode ser feita em cima de um carrinho, grua, steadycam e até
no ombro. Seu eixo é móvel para os lados, frente, para trás, ou até mesmo curvas.

PAN VERTICAL (TILT):
É uma panorâmica com movimento vertical. De cima a baixo ou de baixo para cima.

CHICOTE:
É uma panorâmica muito rápida, do tipo que deixa rastros de luz quando passa pelos objetos filmados.


LENTES

Existe basicamente três tipos de lentes utilizadas em cinema.
As teleobjetivas, as normais, e as grande angulares.
Todas com suas características específicas que se enquadram em cada tipo de plano e linguagem a ser utilizadas no filme.


TELEOBJETIVA:
É uma lente fechada que não possui grande profundidade de campo(foco) o que a torna muito utilizada por exemplo quando se quer delimitar a atenção do espectador unicamente para o objeto ou ator filmado, deixando o resto fora de foco.

NORMAL:
É um tipo de lente que possui um olhar mais humano. Possui um foco mais infinito, que abrange quase todos os objetos de cena.

GRANDE ANGULAR:
A grande angular possui uma boa profundidade de foco. Ao contrário da teleobjetiva, quase tudo que estiver em quadro fica visível. Esta lente cria uma falsa relação de distância entre dois objetos filmados.

OLHO DE PEIXE:
Nada mais é do que uma grande angular mais aberta. Tão aberta, que tudo que estiver nos cantos do quadro, criando “aberrações” na imagem fica distorcido. É uma lente de efeito muito utilizada em vídeo-clipes.

MACRO:
É uma objetiva que permite que façamos o foco com a câmera bem próxima ao objeto. Possibilita por exemplo, filmar uma rosa, ou um formigueiro como se estivéssemos colados, porém possui quase nada de profundidade de campo.

ENCERRAMENTO DO ARTIGO
Você agora deve estar se perguntando o que é profundidade de campo(depth of field).
Por isso selecionei um artigo do wikipédia em português, específico sobre o assunto com imagens de exemplo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Profundidade_de_campo

E como falei de lentes, devem ter surgido dúvidas a respeito de filtros(UV, POLARIZADOR, COLORIDOS ETC..)
Esse assunto vou abordar quando escrever sobre iluminação, ótica e cores.

Agradeço sua visita ao Blog CreativeVegas e mais uma vez peço que comente sobre o que quiser.

Por: Eduardo Le Masson

Proibida a cópia ou reprodução digital, anexo deste ou qualquer conteúdo deste site, mediante autorização.

6 Comentários:

  • Fala, Eduardo!
    Gostei do texto.
    Simples, porém com conteúdo.
    Mesmo pra mim, que sou um apenas curioso da área, é sempre bom ter informações técnicas sobre o assunto.
    Um abraço,
    Sidney Bakaus de Azevedo

    Por Anonymous Anônimo, Às 10 de fevereiro de 2009 às 04:01  

  • Edu,

    daqui algum tempo eu vou produzir um curta só usando informações desse blog...

    Por Anonymous Anônimo, Às 11 de fevereiro de 2009 às 09:11  

  • Muito bom esse guia, ótimo... Eu sou usuário recente do Vegas tenho o 7.0, eu queria aprender como fazer um efeito no vídeo (tipo quando começar o clipe o video ir clareando lentamente e o audio aumentando lentamente, e depois quando terminar a mesma coisa, ir escurescendo e o som sumindo devagar) Desculpa ta encomodando, eu perguntei na comu me mandaram procurar por CROS FADE e deletaram meu tópico, continuo não sabendo nada...

    Alguém pode me ajudar?
    Wellington.

    Por Anonymous Anônimo, Às 13 de fevereiro de 2009 às 19:05  

  • Eduardo, muito bom o seu blog, fiquei muito feliz em saber que compartilho das mesmas idéas e intensões com outros colegas.
    Fique a vontade em usar as informações de meu blog, estou colocando o seu link em meu blog na sessão sites eu recomendo, um grande abraço
    MARCIO SANTOS http://marciosantostv.blogspot.com

    Por Blogger MARCIO SANTOS, Às 23 de março de 2009 às 05:34  

  • Parabéns pela iniciativa! Sou iniciante, ou até melhor dizendo, curioso nessa área de vídeo digital, encontrei teu blog e vejo que posso aprender algumas coisas com ele, talvez não aprenda mais por culpa da minha total ignorância no assunto heehe

    Mas eu sou aquele cara faz-tudo que vc citou num post abaixo, só não posso filmar meu próprio show, mas de resto quero editar, produzir, etc e etc... ainda não fiz nenhum, diga-se de passagem... to estudando o Vegas kkk

    Grande abraço.

    Por Blogger LUIZ FRANÇA, Às 20 de maio de 2009 às 22:20  

  • Belo texto. Eu sei que para se fazer um filme, vídeo etc... os diálogos fazem parte. Uma pergunta: É possível gravar um diálogo entre duas pessoas com apenas uma câmera? Agradeceria uma resposta! Obrigado.

    Por Anonymous Geraldo Lima, Às 22 de dezembro de 2009 às 14:03  

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